Muitos jovens da geração 3000, especialmente os nascidos nos últimos 20 anos, estão chegando ao mercado de trabalho. Ainda são minoria dentro das organizações, mas em breve teremos cenários diferentes. Eles virão em números crescentes e com capacidades intelectuais e emocionais diferenciadas. Estudos mostram que houve mudanças nas estruturas neurológicas, fisiológicas e psicoemocionais dessa geração, o que dá a esses jovens habilidades surpreendentes.
A velocidade dessas transformações geracionais é impressionante. É como se cada nascimento viesse com uma atualização de software. Sem dúvida, estamos testemunhando um salto evolutivo importante, que estremece as verdades absolutas que carregamos até então.
Esse cenário tão novo e incerto coloca a liderança em jogo. Se o líder é aquele que sempre tem as respostas, como lidar com ausência de certezas que esse momento traz? Os líderes estão acostumados a comandar equipes heterogêneas, que carregam crenças e valores diferentes, mas como liderar cérebros diferentes? Com capacidades distintas e maiores que as do próprio líder? Sim, estamos falando de uma geração composta por pessoas com altas habilidades. O ato de liderar pede ressignificação.
É preciso, antes de tudo, perder o medo de admitir que não sabemos tudo. Nos colocarmos como seres em construção e não como alguém pronto. O líder precisa se perceber como aprendiz ao lado dessa nova geração. Isso não significa abandonar conhecimentos adquiridos ao longo de uma vida inteira, mas estar disposto a transformá-los.
Não existe um modelo ideal de liderança, afinal, tudo está em movimento. Mas aposto em um modelo multidirecional e compartilhado, conforme a situação e as mentes que compuserem a equipe. O líder de hoje deve ser capaz de lidar com a multiplicidade de cérebros e ter a sensibilidade de perceber cada uma delas.
Autoridade por autoridade não tem mais espaço. É preciso firmeza de propósito e mãos dadas. As novas gerações não se contentam com falta de respostas, mas isso não significa que a liderança deve temer dizer que não sabe. Ao contrário, o conhecimento deve ser buscado lado a lado. Se o saber estiver no outro, muito mais novo e inexperiente do que você, aceite o conhecimento e aprenda com ele. Conhecimento é luz, nunca sombra. Acreditar que apenas os líderes são detentores do saber é um equívoco que pode trazer grandes prejuízos.
As novas gerações carregam o poder da transformação da sociedade. Promovem novas crenças, alteram comportamentos humanos, muda a roda da vida. Negar ou lutar contra essas perspectivas diferentes é mais do que perda de tempo. É perder a chance de evolução. Portanto, entre no jogo.


