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A saúde nas organizações e a saúde das organizações – Quem adoece quem?

O modelo competitivo da maioria das organizações impõe, há décadas, um ritmo frenético por resultados. Os números têm, muitas vezes, mais importância do que as pessoas. A engrenagem não pode falhar, portanto, a ordem é trocar as peças que não funcionam bem. Profissionais valem o que entregam. Performar, bater metas! Esse é o pensamento que comanda o mercado, seja qual for a área. Vence quem está preparado. Quem não está, é colocado fora do jogo.

A motivação vem da competitividade. São as recompensas do “mais”: o que vendeu mais, o que mais produziu, o que mais atendeu, o que mais gerou clientes, o que mais, que mais, que mais …. e é uma competitividade que se acelera no ritmo dos avanços tecnológicos. A Organização Mundial da Saúde já chegou a declarar que “os maiores desafios para a saúde do trabalhador atualmente e no futuro são os problemas de saúde ocupacional ligados com as novas tecnologias de informação e automação, novas substâncias químicas e energias físicas, riscos de saúde associados a novas biotecnologias, transferência de tecnologias perigosas”, entre outros.

Sim, os avanços tecnológicos sem controle e a pressão pela constante alta performance têm adoecido profissionais. É preciso lembrar que as organizações reproduzem internamente o modelo comercial e econômico do mercado no qual estão inseridas. Logo, se o sistema é doentio, o modelo replicado também será. Além disso, elementos do sistema, como violência, inflação, redução do poder aquisitivo, desemprego, tudo isso se reflete internamente nas organizações. É uma somatória que promove insegurança e leva à exaustão. Exemplo disso são os casos cada vez mais frequentes de síndromes como de Burnout ou síndrome do esgotamento profissional.

A pandemia da covid-19 trouxe mais um elemento para esse cenário: o home office. O modelo, defendido por muitos como uma alternativa para diminuir o estresse, chegou de forma abrupta e gerou desconforto em um primeiro momento. De uma hora para outra, trabalho e casa passaram a ser uma coisa única. Não houve tempo para preparar a cultura do limite entre o que é trabalho e o que é vida pessoal.

Há que se lembrar também que a pandemia acentuou problemas relacionados à saúde mental. São crescentes os diagnósticos de doenças mentais e comportamentais, como depressão, que já era considerado o mal do século. Problemas que as organizações não têm por hábito enxergar. Um dedo cortado é rapidamente diagnosticado como acidente de trabalho e vai para as estatísticas dos órgãos fiscalizadores, já um quadro de desmotivação, desânimo, costuma ser atribuído à falta de boa vontade ou até incompetência.

Os profissionais estão adoecendo e as estruturas organizacionais também. Programas que buscam reduzir os problemas de saúde dos funcionários não são o melhor remédio. A mudança precisa ser mais profunda. É preciso que as organizações revisem seus métodos. As metas devem ser alcançadas preservando a saúde física, emocional e mental dos profissionais. Novas gerações estão chegando ao mercado de trabalho com estruturas cerebrais modificadas. São jovens com capacidades diferenciadas, mas que também costumam apresentar sensibilidades maiores aos ruídos e à luminosidade, por exemplo. Respeitar o ritmo de cada peça da engrenagem é o caminho mais eficaz e sábio na busca por resultados.

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