Temos uma geração 3000, onde a maioria já nasceu cercada de tecnologia. Para onde aponta as novas descobertas? Microchips instalados no corpo humano serão capazes de diagnosticar doenças antes mesmo que os sintomas apareçam? Viagens espaciais turísticas serão realidade? Robôs estarão entre nós com a naturalidade com que lidamos como os celulares? O autor do livro “A Quarta Revolução Industrial”, Klaus Schwab, afirma “estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado”.
Será que estamos preparados para tantas mudanças? Não falo da capacidade de nos adaptarmos aos avanços tecnológicos. Com bons cursos e um pouco de boa vontade, até as gerações com mais idade já se mostraram capazes de acompanhar as transformações do ponto de vista técnico. Mas será possível termos uma sociedade justa e harmônica nesse cenário futurístico?
A tecnologia já controla, em muito, nossa existência. Percebe nossos desejos, direciona nossas ações, dita comportamentos. O compartilhamento de informações ganha proporções cada vez mais gigantescas. Mas que movimento estamos fazendo no sentido da inclusão, da redução das desigualdades?
Debates sobre a responsabilidade de criadores e produtores de tecnologia em relação à finalidade dada às suas criações se fazem cada vez mais necessário. Assim como é preciso que os sistemas políticos administrativos, em especial os educacionais, entendam seu papel diante dessas transformações.
O caminho para um convívio mais equilibrado entre humanos e tecnologia passa, sem dúvida, pela desconstrução de saberes e pela ressignificação de outros, com lideranças adotando uma postura de condutor de um processo capaz de rever as bases em que a humanidade tem se sustentado até então. Faz-se necessária a reconstrução dessas bases a partir de valores verdadeiramente humanos e não meramente mercantilistas. É preciso pensar uma sociedade baseada em princípios éticos, em que o ser humano esteja no centro de qualquer processo. Respeito, cooperação, fraternidade e/ou sororidade, humildade e amor terão que voltar a ocupar o lugar de valores fundamentais da humanidade.
A ética deve sempre permear todos os aspectos da convivência em sociedade para que o uso de qualquer tecnologia seja a favor do ser humano e de todas as expressões de vida. Vale lembrar que qualquer tecnologia nasce de uma mente humana e não o contrário.
A bússola que trará a direção certa para essa nova era é a educação. Mais do que nunca, o ato de educar dever remontar ao seu verdadeiro significado: educar, no latim “educare“. Palavra que era composta por “ex” fora, e “ducere”, guiar, conduzir, liderar.
É preciso termos um modelo de educação horizontal, em que o centro não está no professor, nem no aluno, e sim no movimento equilibrado de aprender e ensinar. O professor aqui é ponto de referência e não mais o único ponto de saber. Professores que se deleitam com aprender e ensinar contínuos. A educação deve ser capaz de libertar o ser humano, dando as bases para um agir consciente, responsável e ético.


